Dor nas costas nunca mais

Oito em cada dez pessoas no mundo sofrem com dores na lombar, mas os avanços tecnológicos permitem melhora sem precisar de cirurgia

A dor crônica que Suely Gonzaga sentia nas costas atrapalhava até os momentos mais simples. “As dores faziam com que eu não pudesse caminhar muito, não podia passar muito tempo sentada, não podia ficar muito tempo em pé”, conta a funcionária pública. Agora, aos 60 anos, ela finalmente conheceu a sensação de acordar sem sintomas, mas precisou conviver com remédios analgésicos durante anos.

Essa, inclusive, é a realidade de muita gente: segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), mais de 80% da população do mundo sofre com dores lombares. É a maior causa de afastamento do trabalho em pessoas com menos de 45 anos. “A lombalgia é talvez a dor mais comum do sistema músculo esquelético. Leva as pessoas a procurarem médico, se afastarem do trabalho, terem um prejuízo na qualidade de vida”, explica o médico especialista em dor crônica Leandro Braun, do Real Hospital Português (RHP).

Essa dor pode ou não ter origem ortopédica. Ou seja, é possível que a causa não seja a própria coluna, e sim outros problemas do corpo. “Órgãos internos também podem dar reflexos. Por exemplo, crise renal pode dar dores na região lombar”, continua o médico. Por isso, é importante saber a origem da dor. Uma vez identificada a causa, o paciente pode finalmente receber o tratamento adequado, seja através de medicações, processos de reabilitação (fisioterapia, pilates) ou até mesmo cirurgias.

Hoje em dia, procedimentos cirúrgicos só são indicadas em último caso. Isso porque a tecnologia tem avançado muito em benefício de quem sente dor nas costas. “A gente dispõe de tecnologias avançadas, que nos permitem ser eficazes e menos agressivos. Hoje, a gente deixa a cirurgia como uma opção bem tardia e, na maior parte das vezes, não é necessário se utilizar de métodos cirúrgicos convencionais”, afirma Leandro.

O médico Marcos Pablo Alencar, especialista em cirurgia da coluna vertebral no Hospital Português, explica que o centro médico dispõe de diversas alternativas. “A gente tem um serviço de fisioterapia que consegue, com educadores físicos, reabilitar esses pacientes; nós temos um serviço de dor que consegue, com procedimentos minimamente invasivos, colocar anestésicos, fazer radiofrequências, fazer punções e bloqueios nesses pacientes, conseguindo aliviar seus sintomas. Em último estágio, quando essas tentativas de tratamento conservador não dão certo, esses pacientes chegam ao nosso serviço de cirurgia da coluna vertebral”, diz.

Suely, por exemplo, já tinha tentado de tudo. “Tudo o que a pessoa pudesse me indicar, eu tomava. Eu fazia fisioterapia, fazia natação. E mesmo assim as dores eram muito intensas. Em várias etapas da minha vida, eu deixei de fazer muitas coisas porque eu estava com muita dor. E também fiz muitas coisas com muitas dores”, relata. No caso dela, havia o fator da obesidade, mas mesmo depois de perder 90 quilos, ela continuava com dores. “Primeiramente eu fiz a cirurgia bariátrica.  Mesmo depois da perda de peso, comecei com problemas muito sérios na coluna. Essas dores foram se intensificando”, conta.

Suely passou então por um processo de rizotomia, uma técnica de neurocirurgia minimamente invasiva, que utiliza radiofrequência nos nervos da coluna. Foi quando ela finalmente pôs um fim às dores nas costas. “Melhorou muito a minha qualidade de vida. Não vou dizer que melhorou meu astral, porque astral sempre tive alto. Com dores, ou sem dores, quem me conhece sabe disso. Mas o que melhorou mesmo foi a qualidade de vida. Você não sabe o que é a pessoa acordar sem dor. Eu não sabia o que era acordar sem dor”, finaliza.

A lombalgia, dor na região lombar, ou a cervicalgia, dor na região cervical, podem ser evitadas com hábitos de vida saudáveis, como boa alimentação, bom sono, prática de exercícios físicos regulares.

Expediente

8 de Outubro de 2017

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