Presença da família acelera recuperação

Real Hospital Português acredita que ter parentes no quarto torna a UTI mais acolhedora

Falar em Unidade de Terapia Intensiva (UTI) evoca memórias difíceis em quem já viveu de perto a realidade. São pacientes graves ou que precisam de monitoramento 24 horas por dia. O horário de visitas, tão enxuto, torna difícil receber apoio e carinho da família. É um misto de solidão e ansiedade. “O fato de o paciente estar cercado por máquinas que ele não conhece, longe de qualquer familiar, gera uma piora nessa ansiedade”, afirma o médico intensivista Noel Guedes Loureiro, coordenador geral das UTIs do Real Hospital Português (RHP), na área central do Recife.

A unidade de saúde acreditou na proposta de uma estrutura diferente para um ambiente de terapia intensiva. Para os seus 180 leitos (dos quais 20 funcionam no novo edifício Santo Antônio, voltado para pacientes de nefrologia e do Sistema Único de Saúde), o hospital tem buscado priorizar a união entre família e paciente. “Durante muitos anos, as UTIs foram locais onde o paciente sofria sozinho até a recuperação. Nos últimos 10 anos, vários trabalhos vêm mostrando que a presença de familiares dentro da UTI acelera a recuperação”, explica Noel.

As UTIs localizadas no edifício Egas Muniz têm leitos individuais com portas de vidro, para que os médicos possam monitorar o paciente ao mesmo tempo em que ele tem todo o conforto e privacidade de um quarto só para ele, com a presença do familiar pelo tempo que desejar. O paciente pode controlar a televisão, temperatura e até a iluminação do quarto.

Há três meses, um desses cômodos virou casa para a irmã da recifense Clarissa Pires. Ela se recupera de uma cirurgia cardíaca de risco enquanto Clarissa aproveita todo o tempo possível para estar junto. “Às vezes eu até esqueço que estou dentro de uma UTI e ela também se sente bem. Só de estar perto, poder ajudar de alguma forma, estar conversando, brincando, é uma satisfação”, afirma.

Às vezes eu até esqueço que estou dentro de uma UTI e ela também se sente bem Clarissa Pires, familiar de paciente

O hospital também preza pelo relacionamento entre médico e paciente. O treinamento dos profissionais da saúde que atuam nas UTIs é voltado para o olho no olho, a proximidade, a acolhida. “São profissionais humanos que percebam aquele momento difícil pelo qual o paciente está passando e que possam dar um tipo de segurança que, às vezes, um profissional muito bom tecnicamente não consegue se não tiver preparo”, continua Noel.

O acolhimento é a palavra de ordem para a médica cardiologista e intensivista Verônica Monteiro. “Quando a gente não tinha toda essa tecnologia, o que fazia a diferença era o médico. Os pacientes da terapia intensiva olham os alarmes, as luzes, e fica pouca gente do lado dele, segurando na mão”, diz.

Essa não é a primeira experiência de UTI vivida por Clarissa. “Minha mãe passou um mês em outra UTI e não dá nem para comparar. Lá tinha os cuidados, mas a família não estava próxima. Faz grande diferença”, pontua.

Expediente

8 de Outubro de 2017

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