Rapidez é chave em caso de AVC

Protocolo do Hospital Português prioriza casos com suspeita de acidente vascular cerebral

Era hábito: todos os dias, Luciano Joventino da Silva usava o intervalo no expediente para almoçar em casa. Mas, na volta ao trabalho no dia 22 de fevereiro, ele não se lembra de ter saído da garagem de casa. Percebeu que tinha algo estranho quando, já dentro do carro, tentou pegar o controle remoto para fechar o portão. “Eu fiquei tentando pegar e não conseguia. Digo, ‘tem alguma coisa errada, vou voltar’”, relata. A perna não obedeceu ao seu comando. O pé que estava no acelerador afundou, fazendo com que ele colidisse com uma mureta e alguns carros. “Tinha morrido o braço direito e a perna direita. Consegui com a mão levantar e tirar a perna do acelerador. Abri a porta e gritei socorro”, relata.

A esposa e a cunhada de Luciano correram para ajudar. Vinte minutos depois denu ter saído de casa, Luciano já estava na emergência do Real Hospital Português (RHP). Lá, constatou-se que ele teve um acidente vascular cerebral (AVC) isquêmico. “Oitenta por cento dos AVCs são isquêmicos. Um coágulo migra, entope um vaso cerebral e, com isso, aquela parte do cérebro deixa de funcionar, traduzindo para um sintoma de perda de força, desvio de boca, dificuldade de falar”, exemplifica o médico radiologista do RHP, Carlos Abath.

Um retardo de meia hora, uma hora, pode significar uma perda definitiva de uma função do paciente – a gente tem que ter realmente uma estrutura disponível Carlos Abath, chefe da radiologia intervencionista”

É importante que o socorro venha rápido. Na emergência, segundo rígido protocolo para pacientes com suspeita de AVC, a equipe do RHP faz uma triagem. “Em caso positivo, o neurologista de plantão é acionado para avaliar o paciente. Ele tem um tempo de dez minutos para completar a avaliação e decidir o tratamento mais apropriado”, diz o neurocirurgião Alex Caetano de Barros. Carlos Abath sinaliza que é melhor se dirigir a um hospital de grande porte desde o primeiro momento.

Quando você chega dizendo o que está sentindo, você nem vai fazer a ficha. Você vai direto ser atendido. Depois ele pergunta quem é você. Isso faz muita diferença Luciano Joventino, eletrotécnico”

“Um retardo de meia hora, uma hora, pode significar numa perda definitiva de uma função do paciente – a gente tem que ter realmente uma estrutura disponível”, diz. Mas essa agilidade precisa começar desde cedo, ainda em casa – entender os sintomas do AVC é crucial para um rápido atendimento. “Se você identificar um desses sintomas, como dificuldade de linguagem ou expressão, dormência de um membro ou na metade do corpo, falta de força, desequilíbrio, dificuldade para caminhar, você provavelmente está diante de uma pessoa que está tendo um AVC”, alerta Alex.

A rapidez para chegar ao hospital e o atendimento eficaz da equipe foram importantes para que Luciano não tivesse sequelas. Quase um mês depois, ele já recuperou todos os movimentos e aos poucos vai voltando à rotina. “Quando você chega dizendo o que está sentindo, você nem vai fazer a ficha. Você vai direto ser atendido. Depois ele pergunta quem é você. Isso faz muita diferença”, conclui Luciano.

Expediente

8 de Outubro de 2017

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