"Oftalmologia, hoje, não existe sem tecnologia"

O ICONE, Instituto de Cirurgia Ocular do Nordeste, acaba de trazer a Pernambuco a tecnologia ORA (Optiwave Refractive Analysis), que deixa as cirurgias de catarata ainda mais precisas e eficazes. É a terceira máquina do tipo em todo o país, primeira do Norte-Nordeste. O investimento em tecnologia é um dos pilares do Ícone e do oftalmologista Álvaro Dantas, que trouxe o instituto à vida em um momento de máximo amadurecimento pessoal e profissional.

Antes de tudo: o que é a catarata?

A catarata é uma doença que afeta todos os seres humanos que tem o privilegio de envelhecer. Dentro do olho, nós temos uma lente natural chamada de cristalino. À medida que nós vamos envelhecendo, o cristalino sofre várias alterações. Depois dos 50 anos, o cristalino vai perdendo lentamente sua transparência, até chegar à cegueira lá no final da vida, aos 90 anos. Ou seja, o cristalino opaco passa a ser chamado de catarata.

A própria pessoa consegue perceber a catarata? Do que ela se queixa?

A catarata, nas suas fases iniciais, e até moderadas, costuma ser uma doença completamente assintomática. Porque à medida que o cristalino vai perdendo sua transparência, de forma muito lenta, o paciente tende a ir se adaptando. Ele vai se acostumando com essa perda progressiva e não se queixa. Normalmente, é um diagnostico feito em consultório, em uma consulta regular, onde podemos observar o nível de perda, conversar com o paciente, explicar o que está acontecendo, para ele entender que a visão dele está decaindo de qualidade, mesmo que ele não esteja sentindo.

Como era feito o tratamento antes e como é agora?

Antigamente, a catarata era tratada no fim. Porque a técnica cirúrgica no passado era uma cirurgia agressiva e de alto risco, então só valia a pena arriscar quando o paciente não tinha mais o que perder. Você abria metade do olho, tirava a catarata inteira, e era preciso dar pontos, fazer curativos, então existia um risco muito alto de hemorragias, infecções, inúmeras complicações comuns a uma técnica mais grosseira.

Dos anos 2000 para cá, houve uma revolução nesse assunto, e a catarata passou a ser feita por uma incisão bem pequena e um processo de aspiração, em uma técnica chamada de facoemulsificação, que é a aspiração através de emissão de ultrassons, dissolvendo e aspirando a catarata por uma incisão pequena.

Nos últimos anos, no Brasil, a grande evolução foi a introdução do laser na cirurgia de catarata. O laser faz as incisões sem utilizar bisturi; abre a catarata de uma maneira circular e centralizada, de forma perfeita, que a mão humana não consegue reproduzir; e a principal função do laser na catarata é fragmentar a catarata, até deixar ela toda amolecida, diminuindo todo o trauma da aspiração.

Além do laser, as novas lentes trifocais implantadas na cirurgia oferecem um alto índice de independência completa dos óculos.

Então, na cirurgia de catarata, você retira a catarata e substitui por outra lente, é isso?

A essência do tratamento da catarata é aspirar aquela lente que perdeu a transparência e implantar, substituindo, uma lente artificial, transparente e com propriedades óticas trifocais. Fazendo com que a pessoa operada possa ver de longe, perto e meia distância, sem óculos. O grande desafio é calcular a lente exata para cada olho. Existem dezenas de lentes, dezenas de potências, e o refinamento de calcular a lente exata é importante para que aquele paciente saia do tratamento completamente sem grau residual, enxergando bem, sem óculos.

Depois do laser, também veio a inovação do ORA. O que é o ORA e o que muda na cirurgia com a chegada dele?

O ORA é um sistema refinado para cálculo de lente intraocular durante o ato cirúrgico. Antes da cirurgia, a gente faz vários exames para tentar descobrir qual é a lente exata. E a presença da catarata antes da cirurgia limita a precisão dos métodos. O ORA é um novo conceito em cálculo de lente intraocular, porque essa medição é feita em uma condição exemplar, durante o ato cirúrgico, quando você já removeu a catarata. O ORA, na realidade, é uma mudança de paradigma muito importante. A minha opinião é de que a introdução do ORA no tratamento da catarata é uma inovação sem retorno, porque você transforma o cálculo da lente, que é algo muito importante no resultado da cirurgia, em um procedimento com máxima precisão. É um refinamento sem precedentes, que torna a chance de o paciente eliminar os óculos maior do que no passado.

O ORA é elemento vivo, onde os próprios resultados cirúrgicos vão abastecendo toda a central internacional. E isso vai transformando os critérios de cálculo da lente. Na medida em que você for abastecendo, o ORA vai se personalizando ao cirurgião e transformando o seu resultado em resultados cada vez melhores.

Toda catarata é operável?

Toda catarata é operável. Naturalmente, se você deixa a catarata chegar a uma situação extrema, muitas vezes não se consegue corrigir pelas técnicas mais modernas. Ou seja, a catarata pode alcançar um nível de dureza tão forte que seja difícil tratar por aspiração.

Não existe uma forma de prevenir a catarata, então?

É impossível um ser humano que envelheça não desenvolver catarata. Porém, a catarata tem relação com estilo de vida. Pessoas que se expõem ao sol, que têm qualidade de vida inferior em relação à alimentação, vida saudável, tendem a desenvolver catarata de forma mais precoce. Mas ninguém se livra do desenvolvimento da doença.

O Ícone foi um dos primeiros lugares no Brasil a receber o ORA. Fale um pouco sobre isso.

O ORA é uma tecnologia muito recente no Brasil. Ele foi introduzido em 2017. Temos um sistema instalado em São Paulo, outro em Belo Horizonte, e temos o Ícone como o primeiro centro do Norte-Nordeste a receber. Em toda a América Latina, é algo que está começando. Então nós temos o imenso prazer de trazer essa tecnologia rapidamente para oferecer aos nossos pacientes nas cirurgias de catarata que estamos realizando.

Queria que você falasse mais sobre o Ícone.

O Ícone é a realização de um projeto profissional em um momento de grande amadurecimento. Chega um determinado momento na vida que você deseja fazer algo com sua batuta. Com sua total definição. Um serviço com a sua cara. Quando você tem que dividir as decisões, termina que aquilo não é a sua cara, não é a sua realização. Foi uma decisão muito importante na minha vida profissional. Tudo desenhado conforme os meus preceitos em termos de tecnologia, de funcionamento. É algo que a gente só consegue fazer quando a gente toma a frente, sozinho. Em 2014, a gente finalmente conseguiu iniciar o conceito do Ícone. Então, o Ícone nasceu de uma ideia, onde a gente queria trazer o que existe de mais eficiente, seguro, principalmente a prática cirúrgica.

Você falou que o Ícone era um desejo seu de trazer tudo o que havia de mais moderno, principalmente no que diz respeito à cirurgia. O ORA, a cirurgia Smile, tudo faz parte disso?

Sim. Na realidade eu costumo dizer que, na vida profissional, o médico não consegue comprar destreza, talento, habilidade. O cirurgião é habilidoso ou não é habilidoso. Você não consegue comprar isso. Mas nós podemos comprar sempre as melhores tecnologias que ofereçam a maior segurança, maior precisão, os melhores resultados para nossa prática diária. O maior compromisso que nós temos no Ícone é trabalhar sempre em busca do que existe de mais eficiente para nosso paciente.

Oftalmologia hoje não existe sem tecnologia. A oftalmologia é uma especialidade amplamente tecnológica, desde a consulta até todos os procedimentos cirúrgicos. Apesar de a habilidade cirúrgica ser uma coisa importante, mas nós dependemos muito de tecnologia. O melhor microscópio, o melhor laser, o melhor tomógrafo, tudo isso é importante para que nós tenhamos a melhor qualificação técnica em busca dos melhores resultados. Nós não poupamos esforços financeiros, de aquisição, para trazer para dentro do Ícone o que há de mais eficiente.

Em termos de visão de futuro, como você enxerga o Ícone?

O Ícone, cada vez mais, como referência internacional em oftalmologia.

Expediente

16 de abril de 2017

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