Marli chora ao ver seu filho morrer na cruz

Ela não tinha a intenção de atuar. Mas emoção de assistir seu filho sofrer, no papel de Jesus, fez com que a Maria de Marli fosse a ideal para a Paixão de Casa Amarela

Por Amanda Miranda

A emoção que o espetáculo vai transmitir ao público é uma das preocupações para quem faz qualquer uma das montagens da Paixão de Cristo. Mais ainda quando ela é formada por atores amadores. No caso da peça que é feita em Casa Amarela, o amor de uma mãe pelo filho foi a solução. Enquanto George, que interpreta Jesus há sete anos, era crucificado na peça, a mãe, Marli, ficava aos prantos assistindo. Por causa da comoção, ele decidiu levá-la para o palco, fazendo um papel semelhante ao que já tem na vida real, o de Maria, a mãe do seu personagem. "Neguei, mas depois peguei na mão dele com força e fui", conta, já chorando.


O que motiva Marli, que fora da Paixão de Cristo é assistente financeira, é o mesmo que levou o filho George, operador de estação de tratamento de esgoto. Ao fazer a encenação, os dois, em sintonia, tentam transmitir uma mensagem de amor ao próximo. "Fico lembrando de tudo, do sofrimento da mãe que hoje em dia perde os seus filhos para o tráfico, para um mundo que está muito cruel. Que todos se olhem como irmãos, se amem, que não se percam mais vidas a troco de nada", diz a Maria do espetáculo.

Apesar de só representar o papel há cinco anos, ela e o filho ajudaram a peça nos 15 anos em que é encenada. Antes, só para os moradores do Alto Santa Isabel, por iniciativa da igreja Católica, e agora no Parque da Macaxeira, para comunidades próximas. George, porém, já interpretou outros personagens; chegou a começar uma noite como um dos reis magos e trocar de roupa duas vezes. "Nos primeiros a gente pegava um TNT (tecido barato) e enrolava na cabeça. Hoje já temos mortalhas do Morro da Conceição e algumas pessoas já fazem a sua roupa. No começo era tudo um pouco mais difícil", revela. "Mas a gente ainda é amador no que faz e tem aquele ar de comunidade."

Apesar do amor pela Paixão de Cristo, George, hoje com 35 anos, tenta passar o papel para outra pessoa desde os 33, idade em que Jesus morreu, segundo a história bíblica. Mas em sete anos sente que o dever foi cumprido. Além de levar a mãe para o palco, ele também conseguiu quebrar preconceitos. "Teve gente que perguntou: 'Cristo negro?': E que disse: 'Oxente, é o Auto da Compadecida'", relata. "Muita gente criou a imagem do Cristo galego de Fábio Assunção, de Thiago Lacerda. Mas a gente estudando história sabe que o Cristo não tem aquela cor."

Os personagens são definidos geralmente depois do Carnaval, em reuniões durante a Quaresma. São cerca de 50 personagens e 100 figurantes. Os únicos que não mudam com tanta frequência são Cristo e Maria, ele por exigir mais preparação e ela pela emoção de Marli.

Para o filho, isso faz com que o espetáculo ganhe mais veracidade, mesmo sendo de amadores, que não têm na bagagem o estudo de técnicas de teatro. "Uma vez, no fim, uma criança de 6 anos chegou para falar comigo e perguntou quando a mãe dela iria ressuscitar, voltar à vida, do jeito que foi com Jesus, na peça. É esse o momento que trava a garganta e a gente sente a responsabilidade. Na boca das crianças está o amor mais perfeito e ela acredita que ali, naquele momento, é verdade."

Em nome
de Jesus

Por Julliana de Melo

Imagina só que Jesus está entre nós. Não apenas no sentido da fé, na espiritualidade. Mas em carne e osso, circulando pelas ruas prá lá de escaldantes do nosso - por vezes amado, por vezes odiado - Hellcife. Poderia ser aquele comerciante da Rua da Aurora, no Centro, uma psicóloga aposentada do Espinheiro, na Zona Norte, ou um jovem fisioterapeuta de Boa Viagem, na Zona Sul. Ou os três ao mesmo tempo. Onipresente. Vivendo suas vidas apressadas, compartilhando seus sonhos, experiências, medos e crenças. Como eu e você. Como todo ser humano. Parte do mesmo Universo.

Imagino que não seria fácil para Ele conviver com as dores do mundo atual. A humanidade está tão desumana... Mas, veja bem, me diz Jesus enquanto serve uma água de coco gelada, com a serenidade simplista dos verdadeiros profetas:



Nosso diálogo é entrecortado por um vaivém de gente com seus vícios e pedidos urgentes.

É... Jesus tá mudado. Aos 39 anos, teve que se adaptar. Está no segundo casamento e sustenta dois filhos, um de cada família.

Trabalha na barraca da família, como mesmo diz, de janeiro a janeiro, sem descanso, desde que era criança. E ainda assim, devido aos apertos financeiros constantes, às vezes quando vai dormir deseja não acordar. Questionou a própria fé. Chegou a frequentar a Igreja Católica e até a Universal do Reino de Deus. Mas, desta vez, decidiu afastar de uma vez por todas o bendito cálice e agora acha, com uma quase certeza, que é ateu.

Sua fala é impactante e provoca em mim uma indisfarçável reação de surpresa. O que O motiva a proferir mais um ensinamento:

Pausa. Preciso refletir. Difícil imaginar um Jesus ateu. Mas não é impossível. Entendo suas razões. E isso não é o mesmo do que dizer que concordo com o seu pensamento. Apenas respeito seu ponto de vista, sem julgar ou atirar pedras. Afinal, quem nunca fraquejou diante de um grande sofrimento? Sou levada pela lembrança a uma outra conversa recente com Jesus. Maria de Jesus, na verdade. Esta persona de 69 anos é dona de uma fé inabalável. Até mesmo diante da morte iminente do filho caçula, vítima de uma doença misteriosa que o levou à UTI. Tinha dores de cabeça, chegava a desmaiar e nenhum médico conseguia identificar as causas. Foi bater em São Paulo para fazer exames. E, espie só: dinheiro nenhum no mundo resolvia o problema.

Maria de Jesus crê, confia. Entrega sua vida, seu destino, nas mãos do Pai. E não é para menos. Vem de uma família extremamente religiosa. Sua mãe queria ter 12 filhos em homenagem aos 12 apóstolos, mas só teve sete. São quatro Marias, um João, um José, e um Alonso, em homenagem ao patriarca da casa. Mas só Ela carrega Jesus no nome. E no coração.

Jesus explica que é consagrada como leiga na Congregação das Damas. Mas, a exemplo de um dos irmãos que tinha vontade de ser padre, sua mãe não queria que ela seguisse o sacerdócio. Mesmo assim, aos 20 anos, estava se preparando para entrar no Convento. Até que foi aconselhada pela mestra de noviça para ver o Carnaval de perto pela primeira vez e se despedir. Foi quando o improvável aconteceu. Entre uma marchinha e outra, no clube AABB, foi apresentada a Valter, quem viria se tornar seu marido há 42 anos, pai de seus três filhos, que lhe deram cinco lindos netos.

A missão cristã, no entanto, segue firme e forte. Lê o Evangelho todos os dias, participa de grupos de oração e agora está se preparando para um retiro quaresmal. Porque reconhece que há muita maldade no mundo e acredita piamente que a humanidade precisa de Deus. Na sua atividade como psicóloga escolar, que exerceu por 46 anos, por exemplo, viu de perto o preconceito contra crianças especiais.

Fé. Ou a gente tem ou não tem. É algo que vai muito além do sentimento, é uma convicção. Com um quê de ingenuidade, sem maldade, pura. Como uma criança, um anjo, mensageiro de Deus. Como Gabriel, o arcanjo. Ou como Gabriel Jesus, com quem troquei as primeiras palavras através do aplicativo WhatsApp. Há quem diga que a modernidade afasta as pessoas, mas também aproxima. Existem sempre os dois lados da mesma moeda. E o caminho para a tão sonhada paz talvez passe exatamente pelo meio – se é que é possível. Foi a lição que aprendi com o jovem Jesus, de 27 anos, que é noivo e tem um filho de 1 ano e 9 meses. Seu próprio nome é fruto de uma negociação pacífica:

Biel Jesus, como gosta de ser chamado, conta que sempre gostou do próprio nome e até achava engraçado quando, na escola, os amigos tiravam onda com isso.

Brincadeiras à parte, ele crê que carrega no nome uma missão.

E o mundo, veja bem, está mesmo carente de empatia. E de tolerância. E de perdão.

Peço uma foto. Recebo a imagem de um rapaz sorridente, que carrega um terço no carro e diz que tenta não ser errado ou injusto com o próximo.

É, sim, Jesus. Obrigada pelas palavras. E pelas entrevistas.


Brasil possui 35.774 Jesus

Este é o número total de brasileiros - homens e mulheres - registrados como Jesus, segundo o levantamento do Censo de 2010 do IBGE. No site "Nomes do Brasil" - incrível e viciante ferramenta do órgão - é possível identificar a localização e os anos de maior incidêndia de registros. No caso do nome Jesus, o ápice de registros públicos aconteceu entre os anos 1950 e 1960, havendo uma queda depois disso, como mostra o gráfico. Mas é importante destacar que a ferramenta só contabiliza o primeiro nome, ficando de fora os nomes compostos. São Paulo é o estado com o maior número de Jesus: 8.447. Pernambuco possui 470.



Origem e significado do nome

O nome Jesus (Yeshua) significa "Deus (YAHWEH) é a salvação". Segundo ​Gilbraz Aragão, professor da UNICAP e coordenador do Observatório das Religiões, em nossa língua deriva do latim "Iesus", que translitera o grego "Iesous", que traduz o aramaico "Yeshua", que deriva do hebraico "Yehoshua". Hebraico é a língua escrita da terra de Jesus e o aramaico era a língua falada. Não era um nome muito comum na época, mas se popularizou nas culturas cristãs, depois que os seguidores do "Caminho de Jesus" se transformaram numa religião importante, o cristianismo.

Se o cartório recusar...

Não é comum de acontecer com o nome Jesus, mas os cartórios brasileiros podem recusar o nome que os pais escolheram para seus filhos, de acordo com a Lei de Registros Públicos. Em geral, isso acontece quando a alcunha poderá trazer transtornos à criança. Como é muito subjetivo, o advogado de família João Bosco de Albuquerque Silva explica que o cartório e/ou os pais podem entrar com um recurso de suscitação de dúvida. Após o registro, segundo ele, é mais fácil acrescentar um nome do que tirar. A não ser que o indivíduo apresente provas de que o nome é perverso na sua vida.

Seres fantásticos invadem a festa e roubam a cena

Vestidos de LED com roupas futuristas ou mesmo personagens da série preferida do aniversariante podem criar um clímax na balada. Atrações podem variar de R$ 350 a R$ 10 mil, por poucas horas

Por Marília Banholzer

Não é festa de criança mas tem personagem para agitar a turma. Famosas em supereventos corporativos, atrações que interagem com os convidados ganham espaço nas festas que antes tinham um estilo mais tradicional, como os bailes de debutantes. Agora imagina a cena: o Dj tocando, aquela diversão e de repente aparece um trio de dançarinos que mais parecem aliens vestidos com roupas de LED. Eles se destacam na pista de dança, posam para fotos e ainda agitam a turma que vai curtir, ainda mais, a festa.



É com essa proposta que empresas organizadoras de eventos têm introduzido personagens em festas de aniversário, por exemplo. Apesar de ter se tornado moda nas baladas do eixo Rio-São Paulo, a proposta já deu as caras nos bailes pernambucanos. Recentemente, no aniversário de 15 anos de Mel Janguiê, filha do empresário Jaguiê Diniz, a atração que roubou a cena na pista de dança foram os personagens da No Fact, empresa internacional que leva seus personagens 'psicodélicos' para grandes eventos como aqueles promovidos por cervejarias, por exemplo.

No caso, as atrações eram as Laser Girls, personagem com uma roupa que reflete os lasers usados na pista de dança, e o trio Mirror People, pessoas com roupas em formato diferenciado e cobertas de luzes de LED. Segundo a organizadora de festas Janine Tinoco, sócia da Dreams, a ideia de trazer a atração da No Fact para Pernambuco surgiu no ano passado depois de verificar que a tendência estava subindo e estudar o mercado local.

"A primeira vez que vi foi na festa da atriz Mariana Rios. Depois de avaliar as possibilidades trouxemos para um aniversário de 25 anos, em 2016. Este ano já oferecemos para os 15 anos de Mel Janguiê e foi um sucesso. Mas é uma atração diferenciada, internacional. Também tem um custo diferenciado. É o tipo de coisa que você oferece quando quer ter um clímax na sua festa", explicou Janine Tinoco. A contratação de personagens da No Fact custa em média R$ 10 mil para uma aparição que dura, no máximo, duas horas. O valor pode aumentar a depender da quantidade de atrações e do tempo do pacote contratado.

Para quem não quer - ou não pode - investir tanto nesse tipo de atração, mas gostaria de ter um diferencial na sua festa, outra opção é contratar personagens ligados aos seus gostos, mesmo que a festa não seja temática. "Se você gosta de Star Wars, por exemplo, pode levar um Yoda ou qualquer outro personagem para fazer uma aparição e interagir com os convidados. Esse é o papel da atração. Ela não faz nada mais do que oferecer uma experiência sensorial, as pessoas tocam, tiram fotos. A atração não precisa fazer um show ou tocar nada. Essa é a proposta, mas tem que ficar atento ao tipo de evento para ver se cabe a presença de um personagem desses", finalizou a organizadora de festas.


Foi, mais ou menos, o que aconteceu com a administradora de empresas Renata Catel. No seu aniversário de 24 anos, em 2016, ela ganhou dos amigos uma noite animada pela pelo Mestre Yoda, personagem emblemático da franquia Star Wars, da qual ela é fã. " Foi uma surpresa incrível. Foi um plus na festa. Quando eu vi fiquei louca, meus convidados também adoraram. A gente dançou tirou foto, foi muito legal. Já tô pensando em organizar uma nova festa e ter um personagem pra agitar", brincou ela.

O personagem que apareceu na festa da Renata foi de um presente do amigo que contratou a atração na Destak Decorações Temáticas por R$ 350, com uma presença de 3h de duração. O dono da empresa, Edvaldo Gadelha, disse que os convites para aniversários e formaturas estão cada vez mais frequentes. "Os personagens dançam na pista com os convidados, divertem todo mundo. O tipo de participação, na verdade, depende do tipo da festa, que não precisa ser temática para ter uma atração desse tipo. Vamos ter uma formatura, inclusive, em que os personagens vão conduzir os formandos que entrarão ao som da Marcha Imperial", destacou.

Não seja chato
e use galochas

Peça pode ser sacada do guarda-roupa durante a temporada de chuva que se aproxima no Nordeste. Para quem usa, são práticas, confortáveis e democráticas

Por Karoline Albuquerque

Recife não tem o clima mais propício do mundo para o uso de botas. Mas, o inverno caracterizado pelas fortes chuvas (também presentes vez ou outra nas demais estações do ano) abre a oportunidade para tirar do guarda-roupas o par de galochas. Alguns podem até torcer o nariz, mas quem usa garante que, além de confortável, as botas protegem das poças de água pelo caminho.

“Democráticas” é como a professora do curso de design moda do Senac Karina Fernandes define as galochas. A peça começou a ser amplamente usada em Nova York. Segundo ela, as botas chegaram à nossa região como acessório de moda. “Vem incrementada, com uma nova cara, tanto de cano longo como curto”, elucida a professora. A divulgação começou com versões modificadas das grifes e ganhou espaço e popularização através das redes sociais.

O material, como o plástico, reforça a resistência. A estudante de odontologia Valéria Oliveira usa o item sobretudo em períodos chuvosos. O acessório, além de a deixar na moda, protege. "São confortáveis, bonitas e também muito versáteis. Você pode combiná-las com vários tipos de roupas, como calças, saias e até vestidinhos”, diz a recifense.


O que levou a designer Rhanna Andrade a ser outra adepta da peça é o mesmo, não há como negar. Para ter uma galocha também atrativa, ela procurou algo diferente. “Queria que ficassem diferentes, que não fossem aquelas normais demais, porque sabia que eu ia usar. Queria ter as minhas para ter um calçado e usar um dia inteiro”, explica.

Karina Fernandes alerta, porém, para os cuidados ao compor o look com as galochas.

Confira as dicas da professora:

  • Galochas de cano longo com calças legging e skinny. “São perfeitas, desde que a galocha esteja por fora”, ressalta a professora.
  • Galochas coloridas ou estampadas com looks monocromáticos. “O destaque vai para o acessório. É possível também compor uma mistura de estampas, se tiver um lado criativo”, disse.
  • Galochas de cano curto com vestidos, saias curtas e shorts. Essas podem ser trazidas inclusive para o verão. “Em dias quentes, ficam ótimas com vestidos leves, delicados, curtos de preferência”, explica.

Evitar:

Saias longas, calças largas, como boca-sino, e vestidos justos, como tubinho. De acordo com a professora de design de moda, a combinação das galochas com essas peças deixam o look pesado.

A cura dentro de si

Prática de ioga e meditação tem sido procurada para tratar diversos problemas da vida contemporânea, como ansiedade e estresse

Por Priscila Miranda

Quem nunca não teve vontade de largar tudo para viver uma vida mais tranquila? O professor de língua portuguesa Cleyton Pernambuco não só teve vontade como pôs em prática o desapego. Dava aulas para alunos em cursos de pré-vestibular há 18 anos, uma vida estressante e agitada que o deixava irritado. “A gestão de emoções era bem difícil, a ansiedade era grande”, lembra.

Ao descobrir o ioga, entre 2009 e 2010, e, ao praticar técnicas de meditação, a mudança no comportamento foi sentida dentro de sala de aula. “Meus alunos começaram a perceber e perguntaram o que tinha acontecido comigo. Passei a levar a meditação para eles também”, diz. O envolvimento com as práticas foi crescendo e Cleyton, hoje, se chama Prem Alok: nome espiritual pelo qual é conhecido em São Paulo, onde mora atualmente. Saiu do Recife e vive na cidade de Nazaré Paulista, no interior. Só dá aulas quando vai à capital paulista. Na cidadezinha, a vida é mais calma e ideal para exercitar ainda mais a meditação.


O que me conduziu foi o exercício próprio. Lia os livros de alguns mestres e ia pra alguns retiros de silêncio em alguns estados. Existem retiros de 4, 5, 10, até 30 dias. Fiz com o guru brasileiro Sri Prem Baba. Sou meu próprio laboratório e já fui chamado para ministrar workshops.

Além dele, muita gente tem decidido abdicar de situações estressantes e comuns da vida moderna para encontrar paz através de práticas milenares seu ponto de equilíbrio para encarar trabalho e relacionamentos de forma mais harmoniosa. A jornalista Anna Tiago percebeu que não estava lidando bem com as situações ruins que aconteciam com ela. “Conversava com alguns amigos que meditam e eles sempre me aconselhavam a tentar, pois seria uma forma de eu parar para estar comigo mesma, me conhecer melhor e tentar melhorar o que eu acho que não está funcionando bem”, relembra.

Em 2016, ela soube de uma oficina de meditação e respiração da ONG Arte de Viver, organização indiana presente em mais de 160 países. “Achei a proposta deles bem legal, pois não é ligada à religião e tem a missão de ‘colocar um sorriso no rosto das pessoas’”, afirma. Na primeira tentativa de meditar, Anna diz que sentiu uma leveza que não consegue explicar e que, diferentemente do que achava, meditar não é "pensar em nada". “É focar no presente, não ficar agarrada em acontecimentos passados nem em possíveis acontecimentos futuros. É só observar o que acontece com seu corpo e observar seus pensamentos e sentimentos, sem se agarrar a eles. É agradecer por estar aqui, no momento presente, e saber que não adianta se agoniar com coisas que já passaram ou que nem sei se vão acontecer”, acredita.

A ONG Arte de Viver foi criada pelo indiano Sri Sri Ravi Shankar, guru espiritual considerado pacifista e líder humanitário. Presente no mundo inteiro, a organização é feita por voluntários que acreditam no poder da transformação através da mudança interna. “Ele não é aquela pessoa que vai subir no topo de uma montanha para ficar fazendo uma postura esquisita, ele tem uma visão de um mundo livre de violência, em paz e sem estresse, através do fortalecimento do indivíduo. Tudo isso é baseado nesse conhecimento que vem do ioga, simplificado para os dias atuais para que todo mundo tenha acesso”, explica Carolina Godoy, voluntária e instrutora da Arte de Viver no Recife. O trabalho de Sri Sri é ativo a ponto de ter ajudado nas negociações de paz entre as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) com o governo colombiano em 2016.

Interessados em conhecer a organização, que na capital pernambucana fica localizada no Recife Antigo, poderão fazer cursos de meditação, ioga e workshops na área.


Primeira vez na aula de ioga

Para escrever a reportagem e entrar “no clima” do assunto abordado, decidi fazer uma aula experimental de ioga no Vidya Espaço de Yoga, localizado no bairro das Graças, Zona Norte do Recife. Veja como foi.


Em uma noite de segunda-feira, topei tirar os sapatos, sentar em uma esteira e ouvir atentamente as instruções da instrutora Camila Leal. Minha função era dupla: precisava ter disciplina para aprender e sentir os efeitos da prática enquanto fazia anotações no meu bloquinho e tirava fotos para a matéria.

A aula começa e é preciso se concentrar. Foco total em se desligar do mundo durante aquele momento para se (re)conectar consigo mesmo a partir da respiração e postura ereta. “Deus está na coluna vertebral”, comenta a instrutora aos alunos. Quem pensa que fazer ioga é um grande momento de relaxamento está muito enganado. É preciso colocar cada osso e músculo para trabalhar. Levanta uma perna, coloca a outra no chão, fecha os olhos. Exercícios de força ao som de mantras. Tudo para encontrar o equilíbrio. A meditação ajuda a olhar para si com mais calma, respirando e expirando.

Confesso que, ao realizar algumas posições, me senti um pouco travada e enrolei um pouco, momento perfeito para pegar o celular e tirar fotos dos alunos que estavam há mais tempo que eu ali. Cada postura praticada era dita pela professora: gato, corredor, bebê, uma infinidade de posições para destravar do fio de cabelo até a pontinha do pé.

Perto do fim da aula, o clima de relaxamento aumenta. Deitada e com os olhos fechados, a vontade foi de não querer mais sair dali. No encerramento, aproveito para conversar com alguns alunos, entre eles Adele Nascimento, na aula experimental assim como eu. “A conexão consigo mesmo é uma das práticas que mais sinto.” A professora universitária Janaina Guimarães voltou recentemente a praticar o ioga para também se conectar com ela mesma. “Tenho a necessidade de trabalhar a respiração. A gente vive tão acelerado que não tem tempo para pensar em si”, diz.

Camila Leal, responsável pelo Vidya, conta que está envolvida com a prática do ioga desde 2011, quando começou a fazer as aulas como aprendiz. Em 2014, fez um curso de formação e passou a ensinar ioga em Pipa, no Rio Grande do Norte. “Sou formada em Direito, mas ioga sempre foi uma coisa que me interessou. Comecei a querer ler mais coisas sobre a prática, me interessando e me afastando da minha área inicial”, relata. Voltou para o Recife e abriu o espaço na cidade. Um dos principais motivos que os alunos relatam ao procurar a ioga é a busca interior motivada por crises de ansiedade.

A experiência de fazer ioga pela primeira vez foi bastante positiva e me deixou com vontade de continuar. Afinal, combinar exercícios físicos com relaxamento e autocontrole certamente pode dar resultados positivos para uma jornalista que vive a rotina frenética de 2017.

Serviço


Arte de Viver

Endereço: Rua da Guia, 117, Recife Antigo, Recife-PE
Telefone: (81) 8668-3311 / 9668-7711 / 8899-0250

Vidya Espaço de Yoga

Endereço: Rua das Pernambucanas, 282, Graças, Recife-PE
Telefone: (81) 99961-0175

A bike, você e a natureza

A popularização das ciclovias e ciclorrotas urbanas colocaram a bicicleta de vez no cenário urbano. Mas as magrelas estão, cada vez mais, ganhando outras trilhas, mais integradas à natureza e à aventura. Saiba como se equipar e ganhe o mundo

Por Thiago Wagner

Além de ser uma solução para a mobilidade da cidades, a bicicleta também pode ser uma grande aliada na hora do lazer e de manter um bom condicionamento físico. Essa prática tornou-se ainda mais comum após o incremento da ciclofaixa móvel no Recife durante os domingos. No entanto, há os que preferem ir além e utilizar a magrela em atividades mais intensas, como as trilhas, por exemplo. Para essas pessoas, pegar a bike e sair na rua não é o bastante. É preciso se sujar na lama e encarar mais desafios ao lado da natureza.

Foi pensando nisso que o administrador Leandro Moraes, 29 anos, comprou a sua bicicleta. Na procura por uma atividade física relaxante e ao mesmo tempo mais exigente, viu nas trilhas de bike a maneira ideal de satisfazer suas necessidades. "Na correria do dia a dia do trabalho, às vezes é difícil encaixar alguma atividade durante a semana. Por isso, tive a ideia de, ao menos, começar a pedalar nos fins de semana. Lancei a ideia para alguns amigos e toparam. Foi o passo inicial para começar a fazer as trilhas", disse Moraes, que criou até um grupo de Whatsapp para reunir os amigos com a mesma ideia que ele. Os encontros nos finais de semana ocorrem há pouco mais de dez meses.

No começo, o grupo preferiu distâncias mais leves, como trilhas em Brennand, na Zona Oeste do Recife, mas com o tempo começaram a se "arriscar" em outras mais longas como o trajeto Porto de Galinhas-Serrambi, que tem pouco mais de 17 quilômetros. A meta do grupo é chegar a trilhas ainda mais extensas, com até 100 km, por exemplo. Além do contato com a natureza mais de perto, Leandro destaca a melhora da saúde com o tempo. "Percebi que meu condicionamento físico ficou melhor quando comecei a pedalar com maior frequência", afirma.

Mas antes pegar sua bicicleta e sair se arriscando em trilhas, algumas informações são necessárias. Primeiro nada de começar uma atividade física sem consultar um médico antes. Além disso, é preciso checar o tipo de equipamento ideal para trilhas. Nem sempre a bike que você usa na rua para ir ao colégio ou ao trabalho serve para esse tipo de exercício. As peças precisam ser mais resistentes, até para trazer um conforto maior ao ciclista. Também é importante não esquecer da alimentação e dos equipamentos de seguranças (ver dicas no box).

Primeiro experimente a atividade para ver se realmente gosta e vai querer levar em frente. Oriento ainda a dar uma prioridade a equipamentos de segurança como capacete, luva, lanternas de sinalização, além de um kit de reparo básico (bomba, chaves...). Além disso, sempre leve bastante água e alguns lanches para consumir durante o passeio", orienta o médico Tiago Medeiros, que também é ciclista e participa de trilhas, como a da Estrada da Morte, na Bolívia. "Foi a realização de um sonho. Foi um passeio com bastante adrenalina porque estamos falando de altitudes acima de 2.000 m e qualquer descuido seria fatal


Já no momento de escolher a bicicleta ideal, a dica é tentar encontrar a mais confortável e que possa ser resistente, com marchas e suspensões de qualidade. Nessa hora, nada de pensar no equipamento mais barato. Para iniciantes em trilhas, uma bicicleta ideal não sai por menos de R$ 1.200, podendo chegar até a valores acima de R$ 2 mil. Por isso, é preciso estar bem decidido na hora de comprar o veículo para trilhas. Mas com essa decisão em mente, basta pegar a bicicleta correta e curtir a aventura ao lado da natureza.



Dicas antes de fazer trilhas

  1. Como qualquer exercício, consulte um médico antes para saber se pode realizar esse tipo de atividade;
  2. Comece devagar. Nada de pegar a primeira bicicleta e sair se arriscando em trilhas desconhecidas. Comece andando na rua ou em parques antes de desafios maiores;
  3. Escolha bem sua bicicleta. Pense em investimento nesta hora. Prefira as que possuem marchas, suspensão e que sejam do tamanho ideal para você. Sim, assim como roupas, a bike também precisa se moldar ao seu tamanho e peso. Por isso, sempre é bom consultar pessoas que entendem do assunto;
  4. Invista bem em equipamentos como luvas, capacetes, sinalizadores e equipamentos de manutenção da bicicleta. Nunca se sabe quando ela pode deixar você na mão;
  5. Procura pessoas experientes em trilhas. Nada de ir sozinho ou com pessoas inexperientes. Além disso, procure sempre conhecer o local antes de sair pedalando por aí. Trace um planejamento;
  6. Lembre dos limites do seu corpo e que ele não é uma máquina. Portanto, leve água e se alimente bem para ter energia suficiente;
  7. A dica final é que você não pode ter desânimo nas trilhas. Lembre de sorrir e de registrar tudo.

Moderno é falar como antigamente

(Re) aprender a se comunicar de forma assíncrona é essencial não só para a comunicação interpessoal, mas também pode te ajudar a ser mais produtivo no campo profissional.

Por Renato Mota

Houve um tempo em que as pessoas se comunicavam de maneira assíncrona. Ou seja, quando uma pessoa mandava uma carta para outra, dizia na mensagem tudo que queria contar – e aguardava por uma resposta igualmente completa do destinatário. Com o rádio, telefone e, posteriormente, internet, chegou a comunicação sincronizada: um fala e o outro responde, na hora.

Entretanto, no caso dos aplicativos de mensagem (como WhatsApp, Telegram, Messenger e afins) a melhor forma de se comunicar está no passado. Diferente do que acontecia com os mensageiros de computador, como o MSN, ICQ e mIRC, nem sempre a pessoa que está recebendo a mensagem está online ou pode responder naquele momento.

Todo mundo conhece alguém que envia um “oi, tudo bom?”, e fica esperando você responder para, finalmente, dizer a que veio. “A pessoa não adianta nada do assunto, ela não sabe quando você vai responder, mas espera pacientemente (nem sempre) a resposta. Às vezes ela vê que a pessoa está online e imagina que ela irá responder imediatamente. Desconsiderando que a pessoa do outro lado pode estar ocupada com alguma tarefa”, afirma o Consultor de Marketing especializado em Conteúdo, Eventos e Mídias Sociais, Edney Souza.

Então, como devo me comunicar nas redes sociais atuais? Não precisa deixar a educação de lado, mas vá direto ao assunto. “Oi, tudo bom? Você recebeu o e-mail com os hotéis das nossas férias?”. Pronto. Tudo junto, numa mensagem só (é horrível quando o povo manda as mensagens

Todas quebradas
E o smartphone fica
Apitando direto.

(Re) aprender a se comunicar de forma assíncrona é essencial não só para a comunicação interpessoal, mas também pode te ajudar a ser mais produtivo no campo profissional. “Um potencial cliente entrou em contato com você? Também é o seu papel ser mais direto e objetivo e isso não significa ser mal educado”, afirma Edney.

O mesmo vale, claro, para os e-mails, que são basicamente as cartas modernas. “[Numa troca de mensagens] peça para a pessoa passar o máximo de detalhes sobre o problema e como ela espera que você possa ajudar. Parece meio óbvio mas não é. Às vezes você tenta resolver de uma maneira que não é o que a pessoa espera e noutras vezes você não é a pessoa capaz de resolver, então nesse momento você encaminha para outra pessoa”, completa o consultor.

CCXP: Em abril, santuário dos nerds fica no Recife

Em plena Semana Santa, capital pernambucana recebe o maior evento de cultura pop, cinema, séries e quadrinhos do Brasil - e um dos maiores do mundo. Entenda a CCXP

Por Renato Mota

Em 2017, milhares de nerds irão trocar a Semana Santa por outro evento, quase tão sagrado para a comunidade geek quanto a Páscoa. Pela primeira vez, o Recife receberá uma edição especial da Comic Com Experience – o maior evento de cultura pop, cinema, séries e quadrinhos do Brasil (e um dos maiores do mundo).


De 13 a 16 de abril, algumas das maiores estrelas das telonas e das telinhas estarão no Centro de Convenções de Pernambuco para dar palestras, autógrafos, tirar fotos e interagir com os fãs. Além disso, o evento ocupará o pavilhão de exposições com estandes de algumas das maiores marcas e estúdios da indústria do entretenimento.

Pois não se engane, a CCXP é um negócio – e dos mais rentáveis. Na edição nacional, que aconteceu em dezembro passado, em São Paulo, mais de 190 mil pessoas compareceram aos quatro dias de evento. “A CCXP é um exemplo da pujança desse mercado. A gente praticamente dobrou de tamanho desde a primeira edição. Pois é, acima de tudo, um mercado de fato, não é mais só um grupo de fãs”, afirma um dos sócios do evento, Ivan Costa.

Esses fãs não só são economicamente ativos, como vão para o evento com dinheiro no bolso para comprar as coisas que eles gostam e sem dar satisfação pra ninguém. “O gasto médio na feira é de R$ 250, muito mais do que as pessoas gastam no Dia das Mães ou outras datas festivas”, afirma Ivan. Nessa conta não entra, por exemplo, o gasto das pessoas que vêm de fora da cidade para participar do evento.

“No ano passado, metade do público veio de fora de São Paulo (considerando-se um raio de 200 km da capital). Isso significa que são pessoas que provavelmente não iam e voltavam todo dia, então acabavam consumindo alimentação, hospedagem, transporte dentro da cidade. Isso movimenta o turismo e coloca a CCXP no calendário oficial da cidade”.

O evento no Recife não será o mesmo de São Paulo, garantem os organizadores. "Não adianta trazer o mesmo evento. A Comic Con Experience Tour do Recife tem o mesmo DNA, mas terá uma cara diferente, que tenha mais a ver com a cidade, com o Nordeste", afirma Ivan.

Um exemplo disso é a camisa "Cubo de Rolo", um dos produtos oficiais do evento. "Recebemos algumas críticas, afirmando que o desenho estereotipava muito o Recife e tal. Mas o feedback que temos do pessoal da cidade é que eles adoraram, se sentem representados", completa o executivo.



A gente indica

Rabiscos num guardanapo para inspirar

Nas redes sociais, poesia e criatividade andam de mãos dadas. Um laço que pode ser apertado pela inspiração. Ou desatado por uma reflexão. Conheça seis perfis que bombam no Instagram para se inspirar e seguir:



Eu me chamo Antônio

As folhas em branco de um guardanapo ganham riscos de poesia. Um verso romântico ou de superação preenche de criatividade as letras do poeta Pedro Gabriel. Não basta apenas escrever para o perfil do 'eumechamoantonio', que soma mais de 680 mil seguidores. As estrofes também já estamparam várias páginas de um livro.

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Pó De Lua

Clarice Freire lê na alma todo o sentimento humano. Transforma cenas em uma poesia visual. Um traço que leva reflexão da vida aos mais de 215 mil seguidores. Uma arte. Ou uma frase. É um Pó de Lua. Ora loucura. Ora cura.

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Akapoeta

Não é um dicionário. É uma página. Escrita por João Doederlein. Cada tema ganha um significado (ou um ressignificado) na visão dele. O 'akapoeta' escreve diariamente uma pílula de reflexão para mais de 349 mil seguidores. Que fere os sentimentos. Ou cura a alma.

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Um Cartão

Mais de 1,3 milhão de seguidores recebem todos os dias mensagens cheias de ternura do autor Pedro Henrique. É em Um Cartão que os versos são transformados em poesias. Viram até enredo para uma obra de arte. Uma pincelada diária de inspiração. Chega até fazer o coração bater mais forte. Ou mais confortável.

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Felipe Guga

Uma mensagem no desenho. Ou um desenho na mensagem. Tanto faz para o poeta Felipe Guga, que coleciona mais de 300 mil seguidores. Uma frase de amor com uma pincelada de fé. São obras de artes para uma reflexão. As ilustrações não se restringem apenas à rede social, preenchem também as páginas do livro 'Sorria, você está sendo iluminado!'.

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1 Tema 1 Minuto 1 Poema

A criatividade impulsiona a rima de Hugo Novaes. Com 1 tema, ele recita 1 poema em 1 minuto. A história ganha ritmo de cordel. Com um jeito bem nordestino. Em vídeo, a poesia contrasta com o talento e o charme do alagoano. Recitada para mais de 26 mil seguidores.

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