No palco eu não
tenho medo de nada

Romero Ferro

Romero Brito Cavalcanti Neto. Para o mundo ele é Romero Ferro, pernambucano, 26 anos, cantor pop, dono de uma performance marcante. Natural de Garanhuns, Romero passou boa parte de sua infância migrando entre cidades do interior do Estado: morou em Arcoverde, Orobó, Limoeiro e Bom Conselho. Recife chegou na vida do cantor em 2003, quando estava com 12 anos.

Assim que chegou ao Recife, começou a se envolver com teatro e cinema, mas sem deixar a música de lado. Começou a escrever canções de maneira despretensiosa até que, em 2012, sentiu que suas produções estavam musicalmente interessantes para externar para o mundo. E foi em julho de 2013 que veio o primeiro trabalho autoral, o EP Sangue e Som. Três anos depois surge Arsênico, o seu primeiro CD.

Dono de um sorriso fácil e de um olhar que às vezes se perde no vazio, Romero Ferro esconde em seu íntimo uma timidez que não deixa transparecer diante de uma expressividade marcante que se expande até o palco. Mas o Romero que está longe dos palcos é uma pessoa tranquila, que prefere ler e ver filmes a estar em lugares agitados.

A timidez que Romero afirma ter se esconde bem atrás da performance que ele mostra em cima dos palcos. Mas não são duas personas. São lados diferentes de uma mesma pessoa. E essa performance vai além de cenários e figurinos. Ela parte do íntimo do artista, para se tornar a sua verdade. É isso que Ferro busca transmitir.

“A performance no palco é algo que veio muito naturalmente para mim, não foi algo que eu vi e pensei ‘quero ser performático’. Eu sempre fui muito fã de Ney Matogrosso, que é para mim a primeira referência de artista no Brasil nesse caminho, mas nunca tive a pretensão de ser como ele. Minha performance surgiu muito mais de uma necessidade de me expressar, de ser mais exagerado no bom sentido da palavra. Foi tudo muito fluido”, conta. “No palco eu não tenho medo de nada”, reforça

E o lado da performance é algo levado muito a sério por Romero. Quando definiu que era esse o caminho que desejava seguir, passou a se dedicar ainda mais: estuda em cima de suas interpretações, analisa o próprio corpo e pede para gravarem seus shows para ver onde precisa melhorar e quais músicas pedem mais ou menos expressão.

Mas essa expressão que utiliza em sua essência às vezes pode não ser bem compreendida. Foi o que aconteceu no fim de 2016, depois que Romero lançou o clipe de Medo em Movimento. Na música, os temas são medo e libertação. No clipe, uma cena de nudez artística traduz essa liberdade. A foto com as pessoas nuas foi retirada minutos depois de postada no Instagram e no Facebook.

“Eu achei essa censura uma grande hipocrisia. A gente fez esse vídeo com o intuito de gerar esse debate e fico feliz de termos conseguido. Mas o que é a nudez no final das contas? O nosso corpo se faz presente o tempo inteiro. Eu não entendo o porquê do tabu sobre o assunto”, pontua.

Romero Ferro começou a dar passos mais largos na carreira há pouco tempo. Como todo jovem artista no mundo da música, não esconde os sonhos que parecem um clichê que todos visam alcançar: estabilizar a carreira - tanto financeiramente quanto em termos de reconhecimento - e que sua música atinja mais pessoas e o leve a lugares diferentes.

E quem tem sonho também tem medo. O de Romero é de não alcançar tudo que almeja. “Quando você acumula menos expectativa de uma maneira geral, eu acredito que você se torna uma pessoa mais feliz. Você tem que sonhar, ter vontades, desejos. Mas é preciso ter em mente que se não der certo, não é o fim”.

Romero Ferro foi fotografado por Luiz Pessoa para a NE10MAG no Jardim do Baobá, na Zona Norte do Recife.

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