Conheça a endorfina, o hormônio que traz felicidade

Hormônio liberado com a prática de atividade física, a endorfina é a responsável pela sensação de bem-estar no pós-treino

Substância natural produzida pelo cérebro, a endorfina tem ação analgésica que, ao ser liberada, estimula a sensação de bem-estar e repercute na diminuição dos níveis de depressão e ansiedade, provocando conforto e melhora do humor. Mas como fazer isso diante de uma vida abarrotada de atividades, prazos curtos e demandas profissionais, pessoais e familiares? Como estimular a produção do hormônio, vivenciando uma pandemia e a dicotomia entre a necessidade de distanciamento social e a urgência em garantir o trabalho e a sobrevivência diária?

Uma alternativa eficiente seria reservar algum período dos dias para praticar exercícios físicos. Se nem sempre é possível administrar situações de estresse e depressão sem usar medicamentos, praticar exercícios físicos regulares é comprovadamente eficaz para ajudar o organismo a reagir de forma positiva, auxiliando noutras iniciativas multidisciplinares.

“Com o isolamento provocado pela pandemia da covid-19, tenho ouvido várias queixas, principalmente associadas a distúrbios de sono, depressão, queda de cabelo e ganho de peso. Quem já estava acostumado a fazer exercícios continuou praticando um pouco em casa, e isso ajudou a manter a estabilidade emocional. Do ponto de vista fisiológico, entre 20 e 30 minutos de atividade física diária já são suficientes para liberar os hormônios neurotransmissores e perceber os benefícios”, explica a endocrinologista Taciana Borges.

Muita gente não pode sair de casa, mas talvez possa subir um andar de escada por dia. Também sugiro incluir a meditação na rotina. Não tem contraindicação e é um hábito que ajuda a fazer uma pausa. O ritmo da realidade pode significar uma cobrança na saúde”, diz a endocrinologista Taciana Borges.

Exercícios físicos

A visão de quem está no consultório é confirmada por quem lida com iniciantes e veteranos na prática de exercícios físicos. O personal trainer Wagner Durand também percebeu entre os alunos um aumento nos relatos de ansiedade e depressão no último ano. Muitos dizem não gostar de praticar exercícios, mas buscam a sensação do pós-treino como estímulo para continuar.

Atividade física é qualquer exercício que tire você da inércia. Pode ser varrer a casa, fazer a feira, levar o cachorro para passear. Já o exercício físico tem uma frequência programada e uma intensidade planejada para melhorar o funcionamento do corpo; seja emagrecer, ganhar massa muscular, regular a pressão arterial”, explica o treinador. Segundo ele, muita gente não tem estímulo para se exercitar, mas depois de iniciar a prática diária se diz ‘viciado’ no bem-estar pós-treino, provocado pela produção da endorfina e de outros hormônios neurotransmissores. 

A endocrinologista explica que, durante as consultas, é comum abordar questões que envolvem o bem-estar e a saúde de forma interdisciplinar, como uma medicina do estilo de vida. Mudar alguns hábitos, como se deslocar de bicicleta, ou adaptar a rotina para incluir atividades físicas entre os compromissos, pode repercutir na saúde como um todo.

“Quem trabalha na área de educação, por exemplo, tem se sentido muito pressionado. Quem está em home office todos esses meses, sem horários definidos, precisa priorizar um momento para se cuidar. Muita gente não pode sair, mas talvez possa incluir subir um andar de escada por dia. Também sugiro incluir a meditação na rotina. Não tem contraindicação e é um hábito que ajuda a fazer uma pausa. O ritmo imposto pela realidade pode significar uma cobrança na saúde”, complementa.

Redução de peso

A jornalista Bruna Siqueira buscou uma mudança de qualidade de vida no último ano, com resultados satisfatórios. Acostumada a um dia a dia preenchido com muitas horas de trabalho fora de casa, dividindo-se nos cuidados com o filho e as obrigações domésticas, ela se viu numa situação de estresse e se propôs uma mudança radical na rotina.

“A luta contra a balança sempre foi presente na minha vida. Apesar de praticar exercícios físicos, não era disciplinada para chegar aos resultados que queria. Comecei pelo que seria o fim do processo. Estava infeliz com o meu corpo, bem acima do peso e, depois de dois anos de trabalho muito intenso, resolvi fazer uma cirurgia plástica. O médico foi bem sincero e disse logo que apenas a cirurgia não seria suficiente para o que eu desejava. Se não adotasse realmente um novo estilo de vida, a cirurgia não seria suficiente”, explica Bruna.

Ela não desistiu e se propôs a levar a sério as mudanças. Foram três meses de recuperação difícil e, assim que o médico liberou, ela iniciou uma rotina que inclui acompanhamento com uma nutricionista esportiva e corridas na rua.

Quando as academias reabriram, iniciei a musculação e voltei a fazer pilates – que já havia feito na gestação. Comecei a correr entre as atividades do dia a dia. Se precisava fazer um exame, ia e voltava correndo. Virou uma válvula de escape para o estresse. Comecei a sentir os efeitos da endorfina e posso dizer que é viciante. Investi num acompanhamento para mudar a minha cabeça e adotei um estilo de vida que me dá muita satisfação”,  complementa a jornalista. 

“Se estou estressada, vou dar uma corridinha. Sinto a endorfina. É viciante. Faz mais de um ano que a gente não vê os amigos com frequência, tenho a rotina com meu marido e meu filho. Na vida normal, se exercitar às vezes vira uma obrigação. Nesse momento, virou o objetivo principal. Sou muito ansiosa, já fiz tratamento medicamentoso para ansiedade, e o exercício me ajuda a controlar essas situações. Com a endorfina em alta, consigo controlar o estresse do dia a dia”, explica Bruna, que deixou para trás 15 indesejados quilos. Agora, é correr para manter o objetivo alcançado sem abrir mão do vinhozinho que ela também adora.

Expediente

30 de junho de 2021

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