Veja dicas para garantir um sono de boa qualidade

Ansiedade, menos atividade física, mais alimentos e bebidas alcoólicas: descubra como contornar os fatores que prejudicam o sono

A chegada da pandemia do novo coronavírus promoveu uma forçada reorganização na rotina das pessoas. Até as atividades mais corriqueiras, como se alimentar e fazer exercícios físicos, têm passado por adaptações. O sono não ficou de fora: o número de pacientes se queixando de distúrbios no ciclo do sono é cada vez maior nos consultórios médicos desde o início do período pandêmico. Os principais motivos de reclamação são insônia e apneia noturna.

A coordenadora de neurologia do Hospital Memorial São José, Silvana Sobreira, explica que a ansiedade, o medo, a diminuição de atividade física e a maior ingestão de alimentos e bebidas alcoólicas são os principais fatores que estão interferindo na qualidade do sono.

Estudos indicam que 40% a 70% da população estão tendo problemas para dormir. Alguns pelo estresse gerado pelo momento e outros por uma relação mais direta com a covid-19, já que a doença afeta o sistema respiratório. Os estudos sobre isso ainda são iniciais e é necessário analisar caso a caso para um diagnóstico preciso, mas a possibilidade da causa ser fisiológica não é descartada” .

Covid e sono

Depois de ter tido covid em fevereiro deste ano, a analista de marketing digital Gabrielle Camarotto, 26, percebeu uma piora significativa no seu sono. Além de não conseguir dormir por horas seguidas, ela também sente dificuldade de raciocínio e memória. “Eu já não estava dormindo bem, mas ficou ainda pior depois que tive a doença. Conversando com alguém, esqueço, troco palavras e até demoro para formar frases”, conta Gabrielle.

A neurologista Silvana Sobreira esclarece que pessoas infectadas pelo coronavírus podem ter algum comprometimento na memória, mas é necessário realizar uma investigação em cada paciente para determinar com precisão o que pode desencadear esses problemas.

Para os que sofrem com distúrbios no sono, Silvana lembra que o assunto deve ser tratado com seriedade. “Precisamos valorizar o sono, porque é um fator fisiológico para manter a nossa saúde mental e física. É durante o sono que processamos os aprendizados e fazemos a manutenção da função cerebral. Por isso, tendo dificuldades para dormir, procure um especialista”.

Além disso, ela relembra que o estabelecimento de uma rotina, a prática de exercícios físicos e uma boa alimentação são essenciais para ter um sono saudável.

Hoje temos estudos que comprovam os benefícios da meditação para o nosso cérebro. Essas orientações valem para todas as pessoas, sejam as que estão ansiosas por causa da pandemia ou as que tiveram a covid-19″,  finaliza.

Ansiedade e dores

Foi dessa maneira que a auxiliar administrativa Mical Liberato, 34 anos, melhorou o seu quadro de ansiedade após ter uma crise no início do ano passado. “Cheguei a tomar remédios porque sofria entre fases de insônia e de sono excessivo. Hoje, mantenho uma rotina de me alimentar bem e fazer academia, que é muito importante para manter o meu sono regulado. Antes de dormir, faço técnicas de respiração e meditação, além de evitar ficar com o celular na cama. Com o corpo cansado das atividades do dia e já sabendo o que vou fazer no dia seguinte, consigo ficar mais tranquila e relaxada”, diz.

O mau sono também pode desencadear dores no corpo, como alerta o fisioterapeuta, osteopata e quiropraxista Eduardo Vieira. Ele tem atendido pacientes com dores na lombar e cervical, tensão no pescoço e enxaqueca decorrentes de noites de sono insatisfatórias.

As pessoas estão o tempo todo em estado de alerta, o nível de cortisol [responsável pelo estresse] fica muito alto e isso faz com que não consigam relaxar, gerando tensão no corpo e um sono de pior qualidade” .

Terapia craniossacral

Um dos tratamentos usados para melhorar esse quadro é a terapia craniossacral, que trabalha desde a estrutura interna do crânio até o espaço próximo à lombar, com toques e manobras que melhoram os estímulos neurais e relaxam os músculos. “O toque é algo muito poderoso para o nosso relaxamento e estarmos privados dele, nesse momento de pandemia, já é um fator gerador de tensões”, ressalta. O diafragma, importante no processo respiratório, também recebe atenção nas sessões: trabalhar a respiração de maneira profunda promove o relaxamento do nosso corpo e da nossa mente.

O momento não é fácil, mas Eduardo destaca que é preciso se perceber e ser ativo para obter uma melhor qualidade de vida. “Tem aplicativos no celular que podemos fazer meditação por três minutos. Não precisa ser muito tempo, mas tem que dar o primeiro passo e entender que precisamos de um momento para acalmar a mente no decorrer do dia, seja com uma música mais calma ou um momento de respiração profunda. Só de incluir isso na rotina, as pessoas vão notar uma melhora no padrão de sono”.

Para finalizar, o fisioterapeuta esclarece que antes de buscar um tratamento ou medicação é necessário procurar a orientação de um especialista.

A análise biopsicossocial é essencial nesses casos, pois por trás de cada distúrbio do sono existe um mundo. Cada pessoa recebe estímulos de maneira diferente e, por isso, deve ser avaliada em sua individualidade. Em alguns casos, pode ser necessário o uso de medicamentos, por exemplo, e em outros, não”,  encerra.

Expediente

30 de junho de 2021

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