Alerta para câncer de cabeça e pescoço

Tumores nessas áreas do corpo têm atenção especial no Julho Verde, mês de conscientização

Depois de uma série de tentativas de curar uma suposta faringite, a aposentada Francisca Maria Wanderley, de 72 anos, descobriu um câncer na base da língua. De tão silencioso, o tumor já havia se desenvolvido a ponto de provocar uma metástase no pescoço. Agora ela já está curada, mas manda o recado: “Temos o hábito de fazer check-up anual, mas esquecemos de cabeça e pescoço. É tão importante a gente incluir na rotina”. É exatamente essa a proposta do Julho Verde, mês de conscientização apresentado pela Sociedade Brasileira de Cirurgia de Cabeça e Pescoço e abraçado pelo Real Hospital Português, no Recife.

Qualquer câncer identificado na região da boca, amídalas, palato mole, base de língua, faringe, laringe, tireoide e pele é considerado câncer de cabeça e pescoço. O câncer de boca, por exemplo, é o quinto tipo de câncer mais frequente em homens e o 12º em mulheres, segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca). O objetivo da campanha é que as pessoas tenham atenção a quaisquer alterações que possam aparecer nessas áreas. “Alteração de cor, um caroço que esteja crescendo, linfonodos que apareçam no pescoço, dor na deglutição ou na mastigação. É um alerta para os profissionais que trabalham com essas áreas e para o próprio indivíduo”, enumera Heberton Medeiros, médico oncologista do Hospital Português.

Por ser uma região delicada, não existe uma forma única de cuidar. “Quando você vai indicar o procedimento, tem que avaliar qual tratamento vai dar uma melhor resposta para aquele caso específico. Pode ser que nem precise operar”, analisa o cirurgião de cabeça e pescoço Sylvio Vasconcellos. Os exames são os mesmos que diagnosticam cânceres em outras áreas: ultrassonografias, ressonâncias magnéticas e tomografias.

Os médicos fizeram parte da equipe que cuidou de Francisca e reforçam que o tratamento de todo câncer de cabeça e pescoço tem que ser multidisciplinar. “No caso dela, especificamente, foi importante estar em um hospital de alta complexidade. Teve um sucesso muito bom, graças a essa multimodalidade terapêutica”, afirma Heberton Medeiros. Durante o tratamento, a paciente precisou da ajuda de diversos profissionais especializados, como dermatologista, dentista, nutricionista, oncologista e cirurgião.

“Nós temos que lembrar que você precisa de um time para realizar o tratamento de forma adequada”, pontua Sylvio Vasconcellos. “Os pacientes oncológicos costumam passar por vários setores com o objetivo de tentar conseguir não só o melhor resultado, mas também do ponto de vista das sequelas e de sua reinserção no convívio diário para, dessa forma, ter satisfação e qualidade de vida”, conclui.

Expediente

26 de Abril de 2019

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