Caruaru

Conhecida como a Princesa do Agreste e a Capital do Forró, Caruaru está situada a 135 km do Recife e é uma cidade que respira cultura e tradição, tendo as festas juninas como sua principal marca há décadas.

De acordo com a Fundação Joaquim Nabuco, desde o final do século XIX, o São João de Caruaru já atraía pessoas das vizinhanças e da capital pernambucana. Os festejos eram organizados em propriedades rurais particulares, com fogueiras, balões, fogos de artifício, quadrilhas juninas, muita canjica, pamonha, milho e alegria.

Na década de 1950, Caruaru já tinha uma feira de fogos, dos mais variados tipos, característicos do Nordeste – buscapés, rojões, bombas, vulcões, pistolões, foguetes, traques de massa, estrelinhas, girândolas – fazia a alegria de crianças e adultos.

A festa teria tomado mais a forma que o público conhece, porém, em meados dos anos 1970, com uma iniciativa do falecido odontologista Agripino Pereira, na Rua São Roque, localizada no centro da cidade, de acordo com o historiador Walmiré Dimeron, em entrevista recente ao portal G1.

A família Pereira morava na Rua São Roque quando o odontologista – ao lado de sua esposa, Tereza – teve a ideia de decorar o local para comemorar o São João. Como as pessoas receberam a festa de forma positiva, em 1973 Agripino foi a Vitória de Santo Antão tentar conseguir patrocínio de uma empresa de bebidas – que ajudou cedendo um carro de som para animar as quadrilhas e cirandas, e levando a festa a ser realizada na Rua 3 de Maio.

Já nesta época, a festa já recebia grandes nomes do forró como Trio Nordestino, Jackson do Pandeiro, Luiz Gonzaga e Azulão, além de receber turistas de outros estados brasileiros. Por volta de 1977, a família Lira, através de seis irmãs, passaram a realizar o São João no município até o ano de 1993, quando a Prefeitura de Caruaru fez um acordo para organizar o festejo, transferindo o São João para a Avenida Rui Barbosa, depois para a Estação Ferroviária e, finalmente, para o Pátio de Eventos Luiz Gonzaga, a partir de 1994.

Hoje, o Pátio de Eventos Luiz Gonzaga é um complexo com 41.500 metros quadrados, que abriga a Fundação de Cultura de Caruaru, os Museus do Barro e do Forró, um pavilhão para exposições, a Secretaria Municipal de Turismo, um palco para shows e a Vila do Forró, que foi demolida em 2011, segundo a Fundação Joaquim Nabuco.

As comidas e bebidas gigantes também se constituem em grandes atrações da festa junina de Caruaru, sendo servidas em dias previamente marcados: o maior chocolate quente, o maior quentão, a maior pipoca do forró, a maior pamonha, o maior cuscuz, o bolo de milho gigante, o maior pé-de-moleque, o maior arroz doce, a canjica gigante, o maior bolo de macaxeira, o maior xerém (tipo de angu) e o tradicional cozido gigante. Há ainda a maior fogueira de São João, feita com madeira ecológica, e colocada na frente da Igreja do Convento, que é acesa no dia 28 de junho.

Em Caruaru, além de mais de 300 atrações musicais gratuitas nos palcos oficiais, as Drilhas também fazem sucesso com o público. Desde 1989, os grupos de quadrilha se organizam de maneira parecida com os blocos do carnaval de Salvador e se apresentam, seguindo o trio elétrico ao som de forró, sempre à tarde, na Avenida Agamenon Magalhães. No Alto do Moura, outro ponto turístico da cidade, o movimento fica por conta de bares e restaurante onde as bandas locais animam os turistas o dia todo.

Ainda que haja a eterna rivalidade com a cidade de Campina Grande, na Paraíba, sobre quem faz “o maior e melhor São João do mundo”, Caruaru sai na frente devido à sua longevidade e tradição de décadas com a festa, sem deixar a modernidade de lado através de seus shows com artistas de renome nacional para abrilhantar as noites da eterna Capital do Forró durante todo o mês de junho.