Recife

A história do São João na capital de Pernambuco caminha ao lado da cronologia da própria cidade. O ciclo junino começou a ser comemorado no Recife ainda no período do Brasil Colônia, no século XVI, com a forte influência da religiosidade europeia. A data servia como um instrumento da Igreja Católica para catequizar os índios e os escravos negros. Era um momento de encontro de todos os povos.

Antes da popularização dos palhoções e grandes eventos, o ciclo junino no Recife tinha como foco as missas e procissões, em devoção a São José, Santo Antônio e, evidentemente, a São João Batista. As igrejas foram sendo construídas e se tornando os polos principais da comemoração. Até os dias de hoje, algumas procissões ainda são bem populares, como é o caso da procissão de São Pedro, no bairro de Brasília Teimosa, Zona Sul do Recife.

De acordo com a Secretaria de Cultura do Recife, os destaques eram os bairros de São José, Santo Antônio e Boa Vista (todos no centro da cidade), onde havia uma grande concentração de famílias residindo. Um dos momentos de maior importância na época era a “Bandeira de São João”, uma procissão que seguia de uma residência em direção ao interior de uma igreja.

Com o passar do tempo, a cidade foi crescendo e as festas juninas foram ocupando também os morros e periferias do Recife. Ao longo da história, nomes da cultura popular foram ganhando reconhecimento nas comemorações juninas. Mestre Ubiracy, na Bomba do Hemetério, na Zona Norte da cidade, e Dona Nenzinha, em Areia, Zona Oeste, ficaram famosos pelo empenho na preparação das festas em suas comunidades.

Entre as décadas de 1970 e 1980, o poder público passou a investir no São João com mais empenho. Foi quando a festa passou a atrair turistas de todos os lugares. O Sítio da Trindade, no bairro de Casa Amarela, na Zona Norte, foi escolhido como palco para concentrar os grandes eventos. O local tem uma área de 6,5 hectares de área verde.

Hoje em dia, as festas juninas no Recife têm uma vasta programação. Os shows do Sítio da Trindade atraem públicos de todas as idades que querem curtir o tradicional ritmo do período, o forró. Trios pé de serra e bandas locais se apresentam à noite. Já passaram pelo palco principal nomes como Geraldinho Lins, Petrúcio Amorim, Lia de Itamaracá, Genival Lacerda, Silvério Pessoa, Nádia Maia, Josildo Sá e Novinho da Paraíba. Além do Sítio da Trindade, o Pátio de São Pedro, no centro, também é tomado por casais que querem dançar forró.

Nos bairros, a festa é garantida. Os moradores decoram as ruas e participam do concurso da prefeitura “Eu amo minha rua”, que premia os endereços mais bonitos. A festa também conta com muita comida de milho como canjica e pamonha. As fogueiras são acesas nas vésperas dos dias principais do ciclo junino e queimam ao longo de toda a madrugada.

Quadrilha

Os saiotes coloridos das dançarinas deixam os olhos de adultos e crianças brilhando a cada passo, ensaiado durante várias semanas. É assim há décadas, desde que o Recife passou a sediar o Concurso de Quadrilhas Juninas, que chega a sua 35ª edição em 2019. Os grupos são de várias cidades do Estado e, neste ano, a final acontece entre 28 e 29 de junho, no Sítio da Trindade. A grande campeã recebe prêmio de R$ 13 mil. Para o concurso infantil, a final será no dia 30 e a quadrilha campeã receberá R$ 5 mil.